Os divulgadores questionam a celeridade da Justiça em resolver o problema. Lauro Cavalcante, de 28 anos, conta que investiu R$ 30 mil e conseguiu reaver somente R$ 12 mil. Para ele, a empresa no Brasil, conhecida como Telexfree, mas com o nome real de Ympactus Comercial Ltda. ME, já tentou fazer de tudo para realizar o ressarcimento dos divulgadores, inclusive, a tentativa da realização de um mutirão de devolução. "Eu acho que a Ympactus já fez o possível para devolver o dinheiro. A gente fica indignado com a própria Justiça. Estou me sentindo lesado e não pela empresa, mas pela Justiça", desabafa.
Cavalcante aponta como uma das principais dificuldades enfrentadas por todos os divulgadores a falta de informação. Ele diz que o único canal de informações eram os vídeos postados pelo diretor da empresa, Carlos Costa, no YouTube. No entanto, o último pronunciamento foi feito há mais de 20 dias. "A última informação que nós temos não é coisa atual, já deve estar com 20 ou 30 dias", acrescenta.
Situação semelhante vive a servidora pública Nudielem Lima, de 29 anos, que investiu em torno de R$ 20 mil. Para não ficar com prejuízo, ela precisa recuperar R$ 6 mil. "Os cinco primeiros investimentos, eu consegui tirar tudo, porque com três meses e meio você já conseguia recuperar o dinheiro", explica.
Sobre a demora e a falta de informação sobre o processo, ela acredita que pode ter algo político por trás da ação. "A gente acha que tem dedo do governo, só pode. Ninguém sabe qual é o mistério, pois a Justiça está muito lenta, mesmo sabendo que muita gente vendeu casa, carro e fez empréstimo e todas essas pessoas estão no prejuízo. A Justiça tem que pagar esse dinheiro, porque está na conta dela há muito tempo, a gente sabe", desabafa Nudielem.
A única solução é esperar. É o que tem feito o divulgador Jorge Cavalcante, de 53 anos, que investiu mais de R$ 20 mil e não conseguiu reaver absolutamente nada. Ele lembra que quando investiu e chegou na época de retirar o dinheiro, não conseguiu realizar o saque. "A gente está aguardando o pronunciamento da juíza, mas no momento, eu acredito que vão empurrar com a barriga até o pessoal esquecer. Eu vou aguardar a decisão da Justiça para ver como me manifestar", afirma.
Carlos Costa, diretor da Telexfree, em visita ao Acre, no final do ano passado, disse que a empresa sempre foi uma oportunidade de lucro para os brasileiros, que nunca foram assistidos. Por meio dela, as pessoas puderam conhecer o que era de fato distribuição de renda. Em um pronunciamento na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Costa se declarou como um enviado de Deus. "Estou aqui de passagem e Deus me usou para fazer o que eu fiz e isso ninguém vai tirar", falou.
Fonte: Acre Alerta


