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quinta-feira, 19 de junho de 2014

TELEXFREE: “Governo dá esmola, Telex dá dólares”, afirma Divulgadora no Acre

Um ano após o bloqueio da Telexfree, empresa investigada por suspeita de funcionar como esquema de pirâmide financeira, os divulgadores acreanos ainda aguardam uma resposta da Justiça quanto ao ressarcimento dos bens investidos. Somente no Acre, em torno de 70 mil pessoas participaram do negócio, conhecido como marketing multinível. No entanto, tanto a juíza Thaís Borges, responsável pelo processo, quanto o Ministério Público do estado, responsável pela ação civil pública contra a empresa, decidiram não se pronunciar sobre o caso. O Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) informou ao G1 que Thaís Borges, por ser parte do processo, não pode falar sobre o andamento do caso.

Os divulgadores questionam a celeridade da Justiça em resolver o problema. Lauro Cavalcante, de 28 anos, conta que investiu R$ 30 mil e conseguiu reaver somente R$ 12 mil. Para ele, a empresa no Brasil, conhecida como Telexfree, mas com o nome real de Ympactus Comercial Ltda. ME, já tentou fazer de tudo para realizar o ressarcimento dos divulgadores, inclusive, a tentativa da realização de um mutirão de devolução. "Eu acho que a Ympactus já fez o possível para devolver o dinheiro. A gente fica indignado com a própria Justiça. Estou me sentindo lesado e não pela empresa, mas pela Justiça", desabafa.

Cavalcante aponta como uma das principais dificuldades enfrentadas por todos os divulgadores a falta de informação. Ele diz que o único canal de informações eram os vídeos postados pelo diretor da empresa, Carlos Costa, no YouTube. No entanto, o último pronunciamento foi feito há mais de 20 dias. "A última informação que nós temos não é coisa atual, já deve estar com 20 ou 30 dias", acrescenta.

Situação semelhante vive a servidora pública Nudielem Lima, de 29 anos, que investiu em torno de R$ 20 mil. Para não ficar com prejuízo, ela precisa recuperar R$ 6 mil. "Os cinco primeiros investimentos, eu consegui tirar tudo, porque com três meses e meio você já conseguia recuperar o dinheiro", explica.

Sobre a demora e a falta de informação sobre o processo, ela acredita que pode ter algo político por trás da ação. "A gente acha que tem dedo do governo, só pode. Ninguém sabe qual é o mistério, pois a Justiça está muito lenta, mesmo sabendo que muita gente vendeu casa, carro e fez empréstimo e todas essas pessoas estão no prejuízo. A Justiça tem que pagar esse dinheiro, porque está na conta dela há muito tempo, a gente sabe", desabafa Nudielem.

A única solução é esperar. É o que tem feito o divulgador Jorge Cavalcante, de 53 anos, que investiu mais de R$ 20 mil e não conseguiu reaver absolutamente nada. Ele lembra que quando investiu e chegou na época de retirar o dinheiro, não conseguiu realizar o saque. "A gente está aguardando o pronunciamento da juíza, mas no momento, eu acredito que vão empurrar com a barriga até o pessoal esquecer. Eu vou aguardar a decisão da Justiça para ver como me manifestar", afirma.

Carlos Costa, diretor da Telexfree, em visita ao Acre, no final do ano passado, disse que a empresa sempre foi uma oportunidade de lucro para os brasileiros, que nunca foram assistidos. Por meio dela, as pessoas puderam conhecer o que era de fato distribuição de renda. Em um pronunciamento na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Costa se declarou como um enviado de Deus. "Estou aqui de passagem e Deus me usou para fazer o que eu fiz e isso ninguém vai tirar", falou.

Fonte: Acre Alerta




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